A Estrutura da Bíblia (Judaica, Evangélica e Católica)

βιβλία: significa livros ou conjunto de livros;

biblos: um papiro (um livro);

ta biblia: designa diversos livros

  1. Antigo testamento:

A Bíblia Hebraica e o Antigo Testamento da Bíblia Evangélica possuem o mesmo conteúdo, mas com uma organização e diferente dos livros, resultando em 24 livros na Bíblia Hebraica e 39 na Evangélica, conforme imagens abaixo:

1.2. TANAK (Torá + Nebhiim + Nebhiim) ou Bíblia Hebraíca

  1. A Lei de Moisés (Torá)
  2. Os Profetas (Nebhiim)
  3. Os Escritos ou Salmos (Nebhiim)

1.2. Antigo Testamento Evangélico

1.3. Antigo Testamento Católico

  • 1.3.1 Pentateuco
  • 1.3.2 Livros de História
  • 1.3.3 Livros de Poesia
  • 1.3.4 Os Profetas

a tradição católica não baseou seu antigo testamento, em última instância, na Bíblia Hebraica, mas sim na Bíblia Septuaginta (LXX). A Bíblia Septuaginta é a tradução grega de diversos livros do judaísmo, que foi muito difundida nos primeiros séculos do cristianismo e utilizada pelos escritores cristãos. Não podemos esquecer que o NT foi escrito em grego, e os escritores da época tinham fácil acesso para ler e escrever em grego.

Obs: São os Santos Evangelhos. Aprendemos que eles são o critério de leitura para entendermos toda a Bíblia. 

A Igreja Católica organiza seus 46 livros baseando-se na estrutura de tópicos e gêneros literários herdada da Septuaginta (a tradução grega do Antigo Testamento feita na Antiguidade). Ele é dividido em 4 partes principais:

  1. Pentateuco (5 livros): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. (Idêntico aos primeiros livros das versões judaica e evangélica).
  2. Livros Históricos (16 livros): Josué, Juízes, Rute, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, 1 e 2 Macabeus.
  3. Livros Sapienciais / Poéticos (7 livros): Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos, Sabedoria e Eclesiástico (também chamado de Sirácida).
  4. Livros Proféticos (18 livros): Isaías, Jeremias, Lamentações, Baruc, Ezequiel, Daniel e os 12 Profetas Menores (Oseias a Malaquias).

Quais são as diferenças para a Bíblia Hebraica e para o Cânon Evangélico?

As principais diferenças giram em torno de dois fatores: o número de livros (presença dos livros chamados de Deuterocanônicos) e a ordem de organização.

1. Diferença na quantidade: Os Livros Deuterocanônicos

A grande distinção do Antigo Testamento católico para os outros dois é a inclusão de 7 livros completos e trechos adicionais em Ester e Daniel.

  • Para a Igreja Católica: São chamados de livros Deuterocanônicos (segundo cânon) e possuem o mesmo status de inspiração divina que os demais.
  • Para os Judeus e Evangélicos: Esses livros não constavam na Bíblia Hebraica original (Cânon de Jerusalém). Por isso, os evangélicos os chamam de Apócrifos e não os incluem em suas Bíblias.
  • Os 7 livros exclusivos do cânon católico são: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus.

2. Diferença na Organização e Divisão

  • Comparado à Bíblia Hebraica (Tanakh – 24 livros): A Bíblia Hebraica divide-se em 3 partes (Torah [Lei], Nevi’im [Profetas] e Ketuvim [Escritos]). Além de não ter os 7 livros deuterocanônicos, os judeus contam vários blocos textuais como um único livro. Por exemplo: os 12 profetas menores são 1 único livro na Bíblia Hebraica; 1 e 2 Samuel são apenas um; 1 e 2 Reis são um; Esdras e Neemias são fundidos. É por isso que o texto massorético judaico resulta em apenas 24 rolos/livros.
  • Comparado ao Antigo Testamento Evangélico (39 livros):A Reforma Protestante optou por manter a organização por gênero literário que a Septuaginta grega trazia (Pentateuco, Históricos, Poéticos e Proféticos), mas decidiu remover os 7 livros deuterocanônicos para espelhar exatamente o índice do cânon hebraico. Portanto, o Antigo Testamento evangélico tem exatamente o mesmo conteúdo textual da Bíblia Hebraica dos judeus, mas desmembrado na ordem e nos 39 livros herdados da tradição cristã.

Resumo Comparativo do Antigo Testamento:

Cânon BíblicoQuantidade de LivrosBase Textual PrincipalDivisão Estrutural
Bíblia Hebraica (Judaica)24 livrosHebraico e Aramaico (Texto Massorético)3 partes (Torah, Nevi’im, Ketuvim)
Antigo Testamento Evangélico39 livrosHebraico e Aramaico (com divisão da Septuaginta)4 partes (Pentateuco, Históricos, Poéticos, Proféticos)
Antigo Testamento Católico46 livrosHebraico, Aramaico e Grego antigo (Septuaginta)4 partes (Pentateuco, Históricos, Poéticos, Proféticos)

Novo testamento:

A Igreja precedeu as Escrituras. Na verdade, todos os livros do Novo Testamento, exceto os Evangelhos, estão recheados de descrições de uma comunidade já bem estabelecida.

Os Evangelhos

Os Quatro Evangelhos são o núcleo de toda a Bíblia. São a fonte de conhecimento da vida e doutrina de Cristo. É preciso que tenhamos intimidade com os Evangelhos.

Para compreender os motivos que levaram judeus, católicos e protestantes/evangélicos a adotarem coleções (cânones) e traduções diferentes do Antigo Testamento, precisamos fazer uma viagem no tempo entre o século III a.C. e o século XVI d.C.

A grande divisão gira em torno de duas grandes bibliotecas da antiguidade: a Septuaginta (em grego) e o Texto Massorético (em hebraico).

1. Por que a Igreja Católica adotou a tradução grega (Septuaginta)?

No século III a.C., havia uma enorme comunidade de judeus vivendo em Alexandria, no Egito, que já não falava mais hebraico, apenas grego (a língua universal da época). Para que eles pudessem cultuar, os livros sagrados judeus foram traduzidos para o grego. Essa tradução ficou conhecida como Septuaginta (ou versão dos 70).

Como o judaísmo daquela época ainda era muito plural e dinâmico, os judeus de Alexandria incluíram nessa biblioteca em grego alguns livros que haviam sido escritos mais recentemente (como Macabeus e Sabedoria), originalmente em grego ou cujos originais em hebraico se perderam rapidamente.

O motivo da adoção católica:

Quando Jesus e os Apóstolos começaram a pregar, o Cristianismo expandiu-se rapidamente pelo Império Romano, alcançando os gentios (não judeus). A língua oficial da pregação e das primeiras igrejas era o grego. Portanto, a Igreja Primitiva adotou a Septuaginta grega como o seu Antigo Testamento. Os autores do Novo Testamento, ao citarem passagens antigas, citavam diretamente a versão grega.

No século IV, quando São Jerônimo traduziu a Bíblia para o latim (a Vulgata), a Igreja manteve a mesma lista de livros da tradição grega, oficializando os 46 livros que os católicos usam até hoje.

2. Por que os Judeus adotaram o Cânon de 24 livros em Hebraico?

Até a época de Jesus, os judeus não tinham uma lista perfeitamente fechada e rígida de seus livros divinos. Havia os livros intocáveis (como a Torá), mas outros ainda eram debatidos.

Tudo mudou por volta do ano 70 d.C., quando os romanos destruíram Jerusalém e o Templo. Sem o templo, o judaísmo corria o risco de desaparecer. Para autopreservação, os rabinos sobreviventes precisaram unificar a fé e definir com precisão cirúrgica: quais livros são realmente a Palavra de Deus e quais não são?

O motivo da decisão judaica:

Os rabinos decidiram ser extremamente rígidos e adotaram critérios estritos para proteger sua identidade nacional e religiosa:

  1. O livro precisava ter sido escrito na língua sagrada: o hebraico (ou aramaico). Os escritos apenas em grego foram descartados.
  2. O livro precisava ter sido escrito dentro do território de Israel.
  3. O livro precisava ter sido composto até a época do profeta Esdras (por volta do século IV a.C.), pois acreditava-se que depois disso a profecia pública havia cessado em Israel.

Por esses critérios, os livros que os católicos chamam de deuterocanônicos (como Tobias, Judite e Macabeus) ficaram de fora do cânon judaico oficial, restando apenas os 24 livros da Bíblia Hebraica.

3. Por que os Protestantes/Evangélicos adotaram o texto Hebraico, mas com a ordem Grega?

Durante toda a Idade Média, a Igreja Ocidental utilizou a lista baseada na tradição grega/latina. Porém, no século XVI, eclodiu a Reforma Protestante liderada por Martinho Lutero.

Um dos pilares da Reforma era o princípio do Sola Scriptura (Apenas a Escritura) e a busca pelas fontes originais dos textos (Ad Fontes).

O motivo da decisão protestante:

Lutero argumentou que, para o Antigo Testamento, a Igreja deveria confiar nos manuscritos que os próprios judeus haviam guardado e preservado ao longo dos séculos (o texto em hebraico). Ele questionou a autoridade dos livros que existiam apenas em grego, apontando que neles havia doutrinas com as quais ele discordava (como a oração pelos mortos em 2 Macabeus).

Portanto, os protestantes decidiram remover os 7 livros gregos e adotar exatamente o mesmo conteúdo que os judeus consideravam inspirado.

Por que a ordem dos livros continuou diferente da dos judeus?

Apesar de terem adotado o conteúdo hebraico, os reformadores optaram por manter a organização estrutural e os nomes dos livros que já vinham da Septuaginta grega e da Vulgata latina (divididos em Pentateuco, Históricos, Poéticos e Proféticos). Eles achavam essa ordem temática muito mais didática e lógica para os cristãos do que a divisão judaica.

Resumo da ópera:

  • Católicos: Mantiveram a tradição da Igreja Primitiva, que lia a Bíblia em grego (Septuaginta) e herdou os livros que os judeus daquela região utilizavam.
  • Judeus: Fecharam seu cânon após a destruição de Jerusalém, focando estritamente na língua hebraica e na antiguidade dos textos para preservar sua identidade.
  • Protestantes: Fizeram uma “fusão” na Reforma. Adotaram o conteúdo estrito dos judeus (excluindo os livros gregos), mas mantiveram a organização estrutural cristã herdada da tradição grega.

https://www.padrealexnogueira.com/artigos/qual-a-diferenca-entre-a-biblia-catolica-e-a-protestante

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